domingo, 2 de outubro de 2016

Vivendo sob o Golpe

Pois é,

há mais ou menos um mês, entramos novamente em nossa história em um "regime de exceção".

Não que o governo Dilma entusiasmasse, é preciso pontuar. O segundo governo Dilma, eleito em 2014, foi decepcionante, do ponto de vista dos posicionamentos progressistas e da política econômica, que deram provavelmente a brecha pela qual o pior que nossa sociedade é capaz de produzir, com e sem ajuda externa, que estavam MORTOS com a reeleição de Dilma, entregues ao golpe de misericórdia, tomassem o poder e expulsassem uma presidenta legitimamente eleita, através de um processo que não conseguiu provar sua raiz, justificando-se pela sua finalidade injustificável. Dilma e Lula deram um contra-argumento bastante sólido à sua proposta reformista. De nada adiantam dez anos de avanços que podem ser tão facilmente retroagidos em dez semanas.

O nível do debate político acirrou-se, expandiu-se e caiu dramaticamente. Virou psicodrama. Os interlocutores revelam desinformação e despreparo para atividades rudimentares da vida em sociedade. Nunca se soube tão pouco e tão menos se quis saber. Nunca antes na história deste país a ignorância e a estupidez beirando a boçalidade política foram tão celebradas, toleradas, incentivadas e até aplaudidas. É provavelmente a geração que mais ruidosamente celebra sua estupidez política ao bater panelas a mando de uma emissora que deve impostos há mais tempo que muitos têm de vida.

Caminhamos hoje sobre os escombros de nossa democracia. O tempo de recuperação dos traumas causados em nosso inconsciente coletivo é absolutamente incerto, como também inesperado por muitos foi o refluxo autoritário e fascistóide da classe média golpista, reacionária, racista e anti-nacional. Aqui e ali há traços de recuperação que nos permitem não desistir de vez do futuro do país, mas o tempo e as condições dessa recuperação são incertos.

Hoje, no dia das primeiras após o golpe, o ambiente parece-se muito com as eleições de 1965, uma pantomima que tentou maquiar a ditadura imposta em 1964 pelos militares entreguistas ao país. Há grande desconfiança no próprio processo democrático , de todos os lados. Para quem acredita no socialismo democrático, ou seja, a parcela de interlocutores que julgamos útil e necessário conversar, o revés do golpe de agosto de 2016 colocou em xeque um processo que até então se considerava consolidado de maneira irreversível. Os babuínos fascistas que comemoram o golpe não merecem reflexão ou debate. Merecem a luta política, nas ruas e em todos os outros ambientes civis em que isso se fizer necessário.

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